The Rise of the Chosen - Primeira Temporada

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The Rise of the Chosen - Primeira Temporada

Mensagem por Moon Flower Silver em 24/3/2016, 22:55

The Rise of the Chosen - Primeira Temporada


Sinopse: Ao receber um misterioso pacote, contendo uma livro antigo e uma flor do tempo, Ash tem sua vida completamente alterada, ao ser informado sobre seu verdadeiro destino. Graças a isso, Ash cresce muito mais maduro e inteligente, determinado a se tornar, verdadeiramente, o maior Mestre Pokémon e cumprir seu destino. Acompanhe as aventuras de um Ash muito mais maduro e determinado, rumo ao seu destino.
Classificação: +16
Categorias: Pokémon
Personagens: Indisponível
Gêneros: Ação, Amizade, Angst, Aventura, Fantasia, Mistério, Suspense
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência



Capítulo 1
Pokémon, Eu Escolho Você!




Um gemido escapou dos lábios do menino de cabelos negros, no momento em que o barulho do despertador ecoou pelo quarto. Lutando contra a vontade de apenas ignorar o despertador, seus olhos âmbar se abriram minimamente, para verificar a hora: 4h32min.

Suspirando, ainda sonolento, ele empurrou os cobertores para longe e se sentando em sua cama, antes de bocejar e sentar-se no chão, para começar a sua meditação matinal.

Ash Ketchum, até três anos atrás, havia sido um menino normal, que vivia na tranquila cidade de Pallet. Assim como muitos meninos, não apenas de sua cidade, mas do mundo inteiro, Ash sonhava com o momento em que se tornaria um Treinador Pokémon e, futuramente, se tornar o maior Mestre Pokémon do mundo. Porém, assim como muitos meninos, Ash nunca havia feito nada para alcançar esse objetivo. Tudo o que ele fazia era assistir as batalhas da liga na televisão e ser tão barulhento quanto qualquer outro garoto de sua idade.

Tudo isso havia mudado há três anos, quando ele havia recebido um estranho pacote pelo correio…
~~:{Flash Back on}:~~

“E Nidoking acerta Onix com um poderoso Mega Soco! Será que o gigantesco Onix terá forças para se levantar, depois desse incrível ataque de Nidoking? Oh, parece que Evan decidiu substituir Onix. E Alakazam entra na batalha! Será que uma vantagem de tipo, será o suficiente para vencer essa batalha?”

O sorriso de expectativa no rosto de Ash, enquanto observava a batalha da final da Liga de Kanto, com os olhos quase grudados na tela.

— Ash! Querido! Desça aqui! Chegou um pacote para você!

Ash gemeu ao escutar aquilo.

Ele queria terminar de ver aquela batalha, mas ele sabia melhor, do que desobedecer a ‘Fúria Vermelha de Pallet’ Délia Ketchum.

Descendo as escadas em direção à sala, pulando dois degraus de cada vez, rezando internamente para que a batalha não terminasse antes dele ser capaz de voltar. Ao chegar ao andar de baixo, ele encontrou sua mãe aguardando-o próxima a escada, segurando uma caixa de papelão retangular de tamanho médio.

— Aqui está, querido.

— Quem mandou? — Perguntou pegando a caixa e a colocando sobre a mesinha de centro da sala, começando a abri-la.

— Não sei querido. Estava endereçado ‘para Ash Ketchum de um amigo’. — Respondeu Délia, que também estava curiosa sobre a origem da caixa. Afinal, já passava das sete horas da noite, o que significava que não havia sido entregue por um carteiro.

Curioso, Ash abriu a caixa e, assim que viu seu conteúdo, não pode deixar de franzir o cenho confuso com o que havia ali dentro.

Dentro da caixa havia dois objetos: um livro relativamente grosso de capa de couro marrom escuro e folhas grossas e amareladas, que possuía uma aparência incrivelmente antiga; e uma flor… contudo a flor não era normal. Ela parecia ser feita de um cristal que criava um bonito degrade do violeta até o azul bebê. Estranhamente, Ash sentiu uma espécie de ‘puxão’ em direção à flor e, antes mesmo que percebesse, sua mãe estava estendida para ela. Seus dedos mal tinham roçado sobre a superfície lisa da flor, quando essa se abriu e, antes que percebessem, Ash e Délia já não estavam mais em sua sala de estar.

Eles se encontravam em um amplo salão circular, cercados por grandes cristais azuis brilhantes que se estendiam pelo chão até o teto. Parado em frente a eles estava um homem por volta dos vinte e cinco anos, usando um estranho traje azul e preto, que Ash pensou ser muito se parecido com as roupas usado por cavaleiros e espadachins das histórias que Délia lhe contava antes de dormir. Ele tinha os cabelos em um tom azul escuro e olhos azuis que tinham um brilho de autoridade e seriedade, como os olhos de homens que haviam passado por muitas situações difíceis, mas havia também gentileza e esperança. Em suas mãos havia um cajado de ferro longo, com um cristal em sua ponta.

Ao lado dele, havia dois pokémons, aos quais Ash nunca havia visto antes.

Um era um pokémon bípede mais alto do que Ash, por volta de um metro e vinte, com o rosto com traços semelhantes à de um chacal, com pelos azuis e alguns pelos pretos, que formavam uma máscara ao redor de seus olhos vermelhos. O pokémon tinha um porte série, quase militar, enquanto seus olhos estavam fixos em Ash.

O outro pokémon era muito menor, por volta dos quarenta centímetros, que lembrava um pouco um gato com o pelo rosa bebê, com grandes olhos azuis e uma longa cauda. Ele flutuava pouco acima da cabeça do homem, e tinha um olhar travesso e cheio de expectativa.

A atenção de Ash voltou para o homem mais velho, quando esse começou a falar:

— Olá jovem Escolhido, eu sou Sir Aaron, o primeiro Guardião da Aura. Creio que no momento em que essa mensagem chegar a suas mãos, eu já não estarei mais nesse mundo. Á pedido de Lorde Arceus, eu estou usando essa Flor do Tempo, para lhe deixar uma mensagem a você e lhe comunicar sobre seu verdadeiro destino. Há muito tempo, antes mesmo de humanos e pokémons cruzarem seus destinos, uma antiga profecia foi criada. Ela anunciava vários eventos catastróficos, que afetariam a vida de todos: humanos e pokémons. Para salvar o mundo, foi profetizado o nascimento de alguns humanos cujos corações seriam tão puros, que eles seriam capazes de acessar a aura, a energia vital da vida. Devido a seu destino, eles foram nomeados de ‘Escolhidos’. Eu sou o primeiro de uma longa linhagem de Escolhidos e, como tal, eu estou aqui para lhe guiar em seus primeiros passos. Para garantir o futuro, você será de treinar e aprender a manipular sua aura o mais perfeitamente possível, para auxiliá-lo estou lhe enviando um livro escrito por mim. Tenho fé de que Lorde Arceus fará com que essa flor do tempo chegue a suas mãos o mais cedo possível em sua vida. Antes de me despedir, jovem Escolhido, quero lhe dizer algo muito importante: seu futuro não será fácil. Você testemunhará o lado mais obscuro da humanidade. Porém, não perca a esperança na humanidade e nos pokémons. Que a aura esteja com você, jovem Escolhido.

Ash piscou, apenas para perceber que estava mais uma vez na sala de estar de sua casa, com sua mãe com seu lado com uma expressão de preocupação e medo.

A flor do tempo havia se fechado, mas cada palavra dita por Sir Aaron estava queimada sobre a alma de mãe e filho.
~~:{Flash Back off}:~~

Após aquele dia, a vida de Ash havia mudado completamente.

Sua mãe lhe contado um grande segredo sobre sua origem. Algo que ninguém sabia. Quando ela estava grávida, parecia que todos os pokémons – selvagens e treinados – cuidavam dela. Inclusive, quando ela havia entrado em trabalho de parto, no meio da floresta da Pallet, havia sido uma Chansey selvagem que havia ajuda-o a dar a luz. Depois que Ash nasceu, os pokémons já não rondavam a casa tão constantemente, mas sempre que algum acidente estava prestes a acontecer com Ash – como quase cair no lago, ou de uma árvore – um pokémon sempre aparecia para salvá-lo. Enquanto os pokémons mais velhos apenas observavam de longe, os mais jovens sempre pareciam se aproximar para brincar com o menino.

Era por tudo isso, e pelo o que seu coração de mãe, que Délia sabia que Ash não era um menino comum. A mensagem de Sir Aaron apenas havia confirmado suas suspeitas.

Foi assim que Ash havia deixado de ser como os outros meninos de sua idade.

Com a ajuda de Délia, ele havia começado a estudar e aprender sobre pokémons e como sobreviver. Com o auxilio do livro de Sir Aaron, ele havia começado a aprender a usar a aura.

No começo, havia sido difícil para Ash se acostumar com a nova rotina, acordando antes do nascer do sol, para meditar, para então correr um par de quilômetros. Então ele tomaria um banho e começaria suas aulas com sua mãe. Ele aprenderia sobre os habitats, comportamentos, características e curiosidades sobre cada pokémon – Ash não sabia o que faria, se sua mãe não tivesse sido uma grande treinadora em sua juventude. À tarde Délia lhe ensinaria culinária e primeiros socorros; como reconhecer frutas, ervas e raízes uteis na natureza; dentre outras tarefas importantes.

Em três anos, Ash podia dizer que ele havia passado de um menino com um grande sonho e sem qualquer meio para alcançá-lo, para um menino com um grande objetivo e com meios para alcançá-lo.

Após uma hora de meditação, Ash abriu os olhos e se levantou do chão, indo até sua cômoda para buscar suas roupas de treino. Ao fazer isso, seus olhos foram atraídos para as três incubadoras sobre a escrivaninha, fazendo com que um pequeno sorriso se desenhasse sobre seus lábios.

Há dois meses, ele havia recebido outra encomenda misteriosa. A caixa continha três ovos: um azul royal com uma marca preta no centro, um prateado com um anel em zigzag branco ao redor do ovo, e o último era de um azul bebê suave com um pequeno circulo branco na parte superior.

Ash havia pensado que seu primeiro pokémon seria um deles, mas dado ao fato de que o grande dia havia chegado e nenhum dos ovos havia dado sinais de eclodir, ele teria de começar com um dos três pokémons iniciais de Kanto: Bulbasaur, Charmander e Squirtle. Não que ele não quisesse um inicial comum. Era que, depois de ler tantas vezes os ensinamentos de Sir Aaron, ele sabia que seu primeiro parceiro – com o qual ele formaria uma ligação aura – seria extremamente importante. Ele não podia fazer uma escolha ao acaso, sem pesar todas as possibilidades.

Tentando afastar aqueles pensamentos, puxou de dentro de uma gaveta uma bermuda verde oliva e uma camisa regata branca. Trocou seu pijama e calçou seus tênis de corrida, para então sair de casa em silêncio, sem querer perturbar sua mãe que ainda deveria estar dormindo.

Assim que chegou do lado de fora, o moreno foi saudado pelo bonito nascer do sol sob as solinas que cercavam a pequena cidade de Pallet.

Inspirando lentamente o ar úmido e refrescante da manhã, ele se alongou um pouco, antes de começar seu, já habitual, percurso de dez quilômetros. Ele se manteve em um ritmo constante, controlando sua respiração e os movimentos. Com o tempo, ele havia aprendido a não fazer movimentos desnecessários e a manter um bom ritmo respiratório, enquanto se exercitava. Isso ajudava a conservar energia e a evitar que ele acabasse passando mal depois.

Enquanto corria, Ash deixou sua mente vagar sob os planos que ele havia feito para sua jornada. Ele tinha aproximadamente dezesseis meses, antes do começo da próxima liga. Havia cerca de vinte e sete ginásios oficiais na Região de Kanto, depois de muito pensar, Ash havia decidido que desafiaria os oito ginásios principais. Ele sabia que esses ginásios eram os mais fortes e, que muitos treinadores iniciais, evitavam desafiá-los devido à baixa probabilidade de sucesso. Justamente por isso, que ele desejava desafiá-los. Afinal, ele queria ser o maior Mestre Pokémon do mundo, então era mais do que natural que ele quisesse vencer os mais forte Líderes de Ginásio de Kanto.

Ele sabia que seu primeiro desafio seria no ginásio da cidade de Pewter, – infelizmente o líder de Veridiana só aceitava o desafio de treinadores com sete insígnias. Ele já tinha todo o regime de treinamento para seus futuros pokémons planejado, assim como o percurso que faria antes de atingir seu primeiro desafio. Ele havia se programado para ficar em torno de três ou quatro dias na Rota 01 – caminho entre Pallet e Veridiana – para treinar e capturar alguns pokémons. Depois de alcançar a cidade de Veridiana, ele iria reabastecer seus suprimentos e ir para a Floresta de Veridiana, onde ele dedicaria mais umas duas ou três semanas de treinamento, antes de seu desafio de ginásio.

Esse era seu plano para todo sua jornada. Ele queria dedicar-se a treinar o máximo que podia, antes de desafiar um ginásio. Seus olhos estavam focados em seu destino, a disputa da Liga Pokémon de Kanto. Ash sabia que não seria fácil. Haveria muitos treinadores mais experientes na liga e, para ter alguma chance real, ele precisaria treinar seus pokémons e a si mesmo além do limite de suas energias.

Após uma hora, ele terminou sua corrida e voltou para casa, sua respiração ofegante e o suor correndo por seu rosto. Assim que entrou, ele foi capaz de ouvir sua mãe cantarolando na cozinha. Com um pequeno sorriso, Ash subiu para seu quarto, a fim de tomar um banho e se aprontar para ir ao laboratório.

Vinte minutos depois, ele voltou a descer as escadas sentindo-se revigorados e limpo, usando a roupa que ele havia escolhido para seu grande dia: uma camisa preta de mangas curtas, um colete azul com mangas e a gola branca, uma calça jeans azul clara simples, tênis azuis com detalhes em branco e, seu item mais precioso, o boné oficial da liga pokémon – seu pulso havia ficado doendo durante toda a semana, com a quantidade de cartas que havia escrito para o concurso.

Assim que pisou dentro da cozinha, seu nariz foi atingido pelo delicioso aroma do café da manhã.
Ash sentiu sua boca salivar.

Sobre a mesa da cozinha, estava o equivalente a uma refeição para um pequeno exército. Pratos com porções gigantescas de ovos e bacon fritos, cogumelos salteados na manteiga, panquecas com xarope de bordo e manteiga, salsichas assadas e um grande bule de café novo.

Ash podia saber cozinhar muito bem, mas ele nunca seria capaz de superar a culinária fantásticas de sua mãe. Afinal, depois de se aposentar como treinadora, Délia Ketchum havia aberto seu próprio restaurante de Pallet, o qual era mundialmente conhecido.

— Bom dia querido. Pronto para o grande o dia? — Perguntou Délia, servindo uma xícara de café par ao filho, enquanto este se sentava em seu lugar habitual, começando a encher seu prato com comida.

— Passei três anos me preparando para isso, mãe e… estranhamente, não me sinto realmente pronto. — Comentou com uma expressão confusa, antes de abocanhar uma porção de bacon.

Era verdade.

Mesmo que ele havia dedicado três anos para se preparar para aquele momento, Ash sentia um incomodo frio em sua espinha. De repente, todas as teorias e noções básicas que ele havia forçado em seu cérebro, pareciam impossível de serem analisadas. A verdade era que a realidade era muito mais imprevisível, o que os livros que havia lido, onde tudo parecia ser milimetricamente explicado.

— Se você se sentisse diferente, então eu estaria com medo de que você estivesse se transformando em um segundo Gary Carvalho, meu bem. — Provocou a ruiva, colocando a xícara em frente ao filho, antes de se sentar e observá-lo comer sua refeição.

Desde bebê, Ash havia sido dono de uma apetite digno de um Snorlax e, até três anos, seus modos à mesa eram dignos de um Primeape – algo que Délia pode corrigir com algumas das aulas que havia dado ao menor.

Ash gemeu em desgosto, quando sua mãe mencionou Gary.

Gary Carvalho havia sido seu melhor amigo até os cinco anos. Isso havia mudado radicalmente, no momento em que eles haviam começado a pokéscola. Sendo o neto do pesquisador mundialmente famoso Samuel Carvalho, Gary havia começado a se tornar muito egocêntrico, acreditando que a fama de seu avô se estendia para ele. Na escola, Gary exigia que todos demais alunos o idolatrassem como um deus, algo que era feito por quase todos. O único que não o fazia era, justamente, o próprio Ash. Isso sempre irritou Gary que, mais de uma vez, tentou humilhar Ash fazendo perguntas difíceis sobre pokémons.

Até três anos atrás, isso funcionava muito bem, pois o moreno não possuía qualquer tipo de preparo teórico e nunca havia sido um fã dos livros. Normalmente, essas situações terminavam com Ash atacando Gary e os dois meninos rolavam pelo chão, trocando socos e chutes, apenas para serem separados e seus pais chamados pela a diretora da pokéscola. Porém, após iniciar seu treinamento como um Guardião da Aura, além de aprender mais sobre os pokémons, Ash havia desenvolvido um controle muito melhor de seu temperamento. Atualmente, era praticamente impossível para Gary conseguir uma reação dele, o que só irritava ainda mais seu ex-melhor amigo.

Afastando os pensamentos de Gary, Ash concentrou-se em terminar seu café da manhã o mais rápido possível. Ele sabia que ainda estava cedo, mas ele queria chegar ao laboratório o mais rápido possível, para poder escolher seu primeiro parceiro.

Depois de terminar de comer, despedindo-se de sua mãe, prometendo voltar assim que recebesse seu pokémon.
⧼Quebra de Linha⧽

Eram quase oito e meia, quando Ash chegou ao laboratório do prof. Carvalho.

O grande edifício usado como laboratório e centro de pesquisa, era um prédio amarelo claro de três andares, com grandes janelas e telhado vermelho, que ficava localizado no alto de uma das colinas que cercavam a cidade. O laboratório possuía vários hectares de campo aberto, próximo a um grande bosque.

Olhando para o edifício, Ash não podia afastar a sensação de borboletas em seu estômago.

O momento pelo qual ele havia esperado, durante toda a sua vida, finalmente havia chegado.
Pressionando a campainha ao lado da porta, Ash não teve que esperar mais do que um par de minutos, antes que a porta fosse aberta, revelando um homem de idade, foi volta dos cinquenta anos, com cabelos grisalhos e olhos escuros, vestindo uma camisa vermelha e calças em um tom alaranjado, com um jaleco branco. Aquele era pesquisador mundialmente famoso Samuel Carvalho.
Ash não pode deixar de notar, as marcas de pressão de molas no rosto do homem mais velho, assim como a evidente expressão de quem havia acabado de acordar. Provavelmente, o pesquisador havia passado a noite em claro debruçado sobre suas anotações e pesquisas, ao ponto de que havia adormecido ali mesmo.

— Hmm… Ash… você chegou cedo. Entre. Eu tenho certeza de que disse para os novos treinadores virem às dez horas… — Convidou, deixando o menor entrar, antes de olhar para o lado de fora do laboratório, como se procurasse por mais alguém.

— Sim, eu apenas acordei cedo. Espero que isso não seja um problema.

O prof. Carvalho riu ao escutar aquilo, fechando a porta e fazendo um sinal para que o moreno lhe acompanhasse.

— É claro que não tem problema, meu filho. Eu deveria estar esperando isso, afinal, você tem sido um verdadeiro madrugador nos últimos anos. Além disso, sua disposições demonstra responsabilidade e comprometimento, algo que deve ser recompensado. Vamos ver seu pokémon.

Ash sorriu, feliz de que não teria de esperar os demais treinadores chegarem.

Prof. Carvalho o guiou até uma ampla sala cheia de computadores e livros empilhados por todos os cantos. No meio da sala, havia uma máquina de metal cilíndrica e, sobre ela, três pokébolas comuns, cada uma contendo um adesivo que representava o tipo de pokémon que estava em seu interior: uma folha para o tipo grama, uma chama para o tipo fogo, e uma gota d’água para o tipo água.

— Bem, aqui estamos, Ash. Os três pokémons iniciais da Região de Kanto: o tipo grama, Bulbasaur; o tipo fogo, Charmander; e o tipo água, Squirtle. Qual você escolhe?

Ash olhou para as três pokébolas com atenção, para então fechar os olhos lentamente, permitindo que sua visão aura se ativasse. De repente, todo a sala se tornou negra com contornos brancos e tudo aquilo que possuía aura brilhou em uma chama azul em sua mente. Ele podia sentir a aura do homem mais velho e a dos três iniciais contidos nas pokébolas. Ash podia sentir suas personalidades por meio da aura, mas suas auras não estavam lhe chamando da forma que ele acreditava ser a certa. Aqueles três estavam imersos em nervosismo e curiosidade, pois eles sabiam que aquele era o dia em que um treinador iria levá-los, mas nenhum deles parecia ter o fogo que Ash estava procurando.

Suspirando, Ash voltou a abrir os olhos.

— Professor, eu acredito que nenhum destes pokémons seria o melhor primeiro parceiro para mim. — Falou, tentando escolher suas palavras com cuidado.

Ao escutar aquilo, prof. Carvalho franziu o cenho confuso.

— Como pode ter certeza disso, quando nem mesmo os viu? — Perguntou Carvalho, um tanto desconfiado.

Ash se remexeu nervoso.

Ele nunca havia contado a ninguém sobre sua habilidade com a aura, sendo que a única pessoa que sabia era sua mãe.

— É difícil de explicar… mas é como se meu instinto me dissesse isso. Tenho certeza de que eles são ótimos pokémons, mas algo me diz que eles não serão ótimos pokémons comigo. — Justificou-se, tentando explicar o que a aura dos três iniciais estava lhe dizendo, sem que precisasse revelar seu segredo. — Hmm… talvez o senhor tenha algum outro pokémon disponível?

Carvalho pensou por um momento.

— Bem… existe um. É um Pikachu que eu capturei na noite passada, mas ele é especialmente selvagem e vai legar algum tempo para que torná-lo adequadamente manso.

Instantaneamente, Ash sentiu sua aura reagir à menção do pokémon.

— O senhor se importaria se eu o visse? — Perguntou um tanto ansioso.

— Bem… acho que tudo bem… — disse Carvalho.

Apertando o botão na lateral da máquina, ele fez com que um compartimento no meio das três pokébolas se abrisse, para revelar uma quarta pokébola. Este tinha um adesivo de relâmpago sobre ele. O pesquisador pokémon pegou a pokébola e libertou seu habitante. Em uma tempestade de eletricidade, um pequeno Pikachu apareceu sobre a mesa.

No momento em que viu o pokémon elétrico, Ash sentiu sua aura reagir a ele.

Aquele era o pokémon certo.

Ash podia sentir a desconfiança, o medo e a raiva saindo em ondas da aura de Pikachu.

Lentamente, ele se aproximou do pokémon, que estreitou os olhos em sua direção pequenas faíscas saindo de sua bochecha em uma ameaça silenciosa. Preparando-se para o choque de sua vida, Ash fechou a distância, tentando a mão direita e tocando a bochecha esquerda do pokémon rato elétrico. Antes que o primeiro choque lhe atingisse, Ash liberou sua aura abrindo seu coração e sua mente para o pokémon.

A reação foi instantânea.

O mundo em volta dos dois pareceu congelar por um momento, enquanto Ash recebia cada pequeno fragmento de memória de Pikachu, revivendo todas suas experiências e emoções; da mesma forma com que Pikachu recebia todas suas memórias, experiências e emoções.

Ash viu o momento em que o ovo de Pikachu eclodiu em meio à floresta, sozinho. Seus pais não estavam lá quando um Pichu pequeno e assustado nasceu. Ele viu a dificuldade dos primeiros meses de vida daquele bebê Pichu… como era difícil para ele encontrar comida e abrigo. Ele viu a primeira vez que aquele bebê Pichu enfrentou sua primeira batalha, contra um Raticate por uma maçã… Ash podia sentir que o bebê Pichu estava fraco e faminto e, não foi uma grande surpresa, quando Raticate venceu a batalha. Foi naquele momento, Ash percebeu, que tudo mudou para o bebê Pichu. Seu medo foi substituído por uma forte determinação… Pichu queria se tornar forte. A partir desse momento, Ash foi presenteado com lembranças de todo o treinamento que Pichu fez e das batalhas que enfrentou em busca de se tornar mais forte… até que um dia, ele evoluiu e se tornou o Pikachu que estava a sua frente.

Ash sorriu ao ver tudo aquilo.

De repente, o compartilhamento de lembranças havia terminado e, agora, os dois estavam frente a frente, parados em uma imensidão branca.

— Você quer ser forte, não é mesmo, Pikachu? Mais forte do que qualquer outro Pikachu, mais forte do que qualquer outro pokémon. — Declarou Ash, sabendo que aquele era o desejo do pequeno pokémon. — Eu também quero ser forte. Meu objetivo é ser o maior Mestre Pokémon do mundo. Para conseguir isso, eu preciso da ajuda de pokémons como você, Pikachu. Determinados, que querem ser mais fortes do que qualquer outro. Você quer se juntar a mim? Prometo de fazer tudo possível para torná-lo tão forte quanto você pode ser.

Pikachu piscava confuso e surpreso com tudo o que estava acontecendo, olhando para aquele humano tão peculiar. Ele havia visto as lembranças… principalmente as lembranças do treinamento de Ash e de seu verdadeiro destino. Ele deveria se tornar um Guardião da Aura. Pikachu, assim como muitos outros pokémons, conheciam as lendas e histórias sobre os antigos guardiões e sobre o destino que eles possuíam.

Desde que podia se lembrar, Pikachu sempre acreditou que os humanos eram seres indignos e cheios de intenções obscuras. Porém, aquele humano era completamente diferente. Ele tinha um coração bom… ele podia sentir isso! Diferente de qualquer outro humano, Ash não tinha intenção de se tornar seu mestre. Pikachu podia ver isso em seu coração. Ele via os pokémons como seus amigos e família… como iguais…

Um sorriso se formou nos lábios de Pikachu.

Ele havia tomado sua decisão.

Ele aceitou a oferta.

Ele se tornaria o primeiro parceiro daquele humano e, juntos, eles se tornariam os mais fortes.

Ash sorriu, feliz que Pikachu havia aceitado ser seu pokémon, para então dar inicio a ligação aura. Sua aura vibrou e se tornou visível, quase como um manto que envolvia seu corpo. Lentamente, sua aura começou a formar finos fios azuis, que se estenderam em direção ao roedor elétrico, até começar a envolvê-los. No primeiro momento, Pikachu ficou surpreso, não esperando algo como uma ligação aura, para então ficar receoso e pensar que, talvez, Ash não soubesse das consequências…

— Está tudo bem. Eu sei o que vai acontecer, e eu quero isso.

Mais uma vez, aquele humano surpreendeu Pikachu, que sorriu e fechou os olhos, permitindo que a ligação fosse concluída.

Quando a ligação foi concluída, Ash se viu mais uma vez no laboratório do prof. Carvalho, enquanto Pikachu esfregava sua bochecha contra sua mão, arrulhando de prazer. Em seguida, ele correu sobre seu braço estendido, acomodando-se sobre seu ombro.

Ash sorriu, virando-se para encarar um surpreso e confuso professor.

— Eu escolho Pikachu. — Declarou, enquanto Pikachu esfregou a bochecha contra a sua, como se quisesse dizer que ele também o escolhia.

Saindo de seu choque, Carvalho sorriu e disse:

— Bem Ash, devo dizer que estou completamente impressionado. Por um momento, eu pensei que Pikachu fosse lhe atacar, quando você o tocou. Quando eu tentei conversar com ele, depois de pegá-lo roendo os cabos elétricos do laboratório, ele me atacou e se tornou completamente selvagem, que eu tive de capturá-lo.

Ash arqueou uma sobrancelha ao escutar aquilo, virando-se encarar o pokémon em seus ombros.

— Cabos elétricos?

Pikachu sorriu de um jeito malandro.

Eu estava entediado. — Respondeu o pequeno pokémon, fazendo com que Ash revirasse os olhos ao escutar aquilo.

Uma das vantagens de ter uma ligação aura com seu pokémon, era que isso fazia com que fosse possível compreender tudo o que o pokémon dizia.

Ignorando a resposta boba, o moreno voltou sua atenção para o pesquisador.

— Bem… eu acho que nós dois apenas estávamos destinados a ser.

— Sim, definitivamente. Eu sempre acreditei que todo pokémon está destinado a um humano. Fico feliz que vocês tenham se encontrado. Agora, me dê um momento, que eu vou programar sua pokédex e ativar seu registro como treinador. — Dizendo isso, Carvalho se virou e foi em direção a um dos muitos computadores que havia na sala.

Enquanto o professor estava mexendo no computador, Ash resolveu se concentrar um pouco em seu novo parceiro.

Então, agora que eu sou seu treinador, vou precisar saber quais ataques você conhece.” Falou mentalmente, sabendo que, graças à ligação aura, Pikachu seria capaz de ouvi-lo.

Hmm… eu sei Investida, Ataque Rápido e Choque Elétrico… ah! E eu também sei Onda Trovão e Multiplicar.

Ash acenou em entendimento.

São bons ataques, mas você vai ter de aprender novos. Nosso primeiro desafio é em um ginásio de pedra, o que significa que a maioria de seus ataques serão inúteis lá. Vamos ter de treinar e treinar muito.” Sim, eles teriam de treinar muito, afinal, o pior pesadelo para um tipo elétrico era o tipo rocha/solo, que eram os tipos usados no ginásio de Pewter. Havia meios de contornar essa dificuldade, obviamente, mas era necessário um treinamento sério e pesado.

Uma chama de determinação brilhou nos olhos de Pikachu ao escutar aquilo, o que fez com que Ash sorrisse. Seu pequeno parceiro poderia estar em desvantagem de tipo com seu primeiro desafio, mas ele possuía a determinação necessária para superá-lo.

— Tudo bem, Ash, aqui está. — Disse o prof. Carvalho, se levantando e entregando a Ash uma pokédex vermelha e cinco pokébolas desarmadas. — Você precisa que eu lhe explique como a pokédex funciona?

— Não é preciso, professor. Eu li seu folheto de introdução básica para treinadores iniciantes. — Disse, enquanto guardava os itens no interior do bolso de seu colete.

— Tudo bem então, aqui está a pokébola de Pikachu. — Disse, entregando a pokébola com símbolo de relâmpago sobre ele.

Eu não quero ficar dentro dessa coisa de novo! — Exclamou Pikachu, parecendo apavorado com a possibilidade.

Você não precisa ficar dentro da pokébola, não se preocupe.” Garantiu, guardando a pokébola de Pikachu.

Depois de se despedir do professor, Ash saiu do laboratório, pronto para voltar para casa e se despedir de sua mãe adequadamente.

Porém, qual não foi sua surpresa, ao encontrar Délia esperando-o em frente à escadaria do laboratório, junto com vários vizinhos e amigos. Todos eles seguravam faixas e cartazes, onde se podia ler frases de incentivos e desejos de boa-sorte. Ash também não pode deixar de notar que muitos deles ainda estavam em suas roupas de dormir e, alguns, com expressões de quem haviam sido arrancados de suas camas. Era muito provável que Délia os havia ameaçado, para garantir que todos estariam presentes.

— Mamãe… — Ash murmurou, um pouco constrangido com aquilo, mas também com pena de seus vizinhos e amigos da família. Ele, melhor do que ninguém, sabia que o que era ser ameaçado pela ‘Fúria Vermelha de Pallet’.

— Queríamos fazer uma pequena surpresa e te desejar boa sorte. — Falou Délia, se aproximando e envolvendo o filho em um abraço forte. Ela sabia que, agora, demoraria muito para ser capaz de fazê-lo novamente. — Tome cuidado. Tente se meter em menos problemas possíveis e não se arrisque demais. Sei que você tem um destino, mas você ainda é apenas um iniciante e pode levar as coisas mais devagar. Não se esqueça de comer direito, dormir bem à noite e trocar sua roupa de baixo sempre.

Ash corou ao escutar a última parte, enquanto todos riam da forma protetora como Délia falava. Até mesmo Pikachu – que havia subido em sua cabeça – estava rindo.

Délia se afastou com um sorriso triste, seus olhos se movendo na direção do pequeno pokémon amarelo em cima da cabeça de seu filho. Ela não precisava perguntar… ela sabia que aquele era o pokémon que seu filho havia escolhido.

— Pikachu, por favor, cuide bem do meu filho. — Pediu suavemente, erguendo a mão para acariciar o pequeno rato elétrico. — Ele vai precisar muito de você. — Sussurrou a última parte, para que ninguém mais a escutasse.

Ash sorriu fracamente ao ouvir a preocupação óbvia de sua mãe.

Ele tinha certeza de que se ele fosse apenas mais um treinador, prestes a sair de casa, ela já estaria preocupada… mas saber que ele era o Escolhido pela vontade de Arceus… que era seu destino proteger a todos… Ash duvidava que pudesse dizer algo que a tranquilizasse.

— Vou ligar assim que chegar a Veridiana. — Prometeu, dando um último abraço em Délia e se despedindo de todos.

Com isso, Ash caminhou em direção a Rota 1, com todos torcendo por ele.

Finalmente, havia começado… a jornada de Ash Ketchum, o Escolhido e jovem Guardião da Aura, havia começado.
Continua...


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