Maboroshi [+16 anos]

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Maboroshi [+16 anos]

Mensagem por Bluerose em 6/3/2015, 13:08

Maboroshi

Sinopse: Tudo o que ela desejava, era escrever seu próprio destino, sem saber que o mundo a sua volta poderia ser uma ilusão.
Censura: +16 anos (levem a censura a sério, gente)
Notas: Os personagens dos anime, Pokémon e Shugo Chara não são de minha autoria. Sou apenas uma fã que sonhou com esses dois mundos interligados.

Personagens:

Nadeshiko Fujisaki

Hiromi Fujisaki

Profº Louis Antoinne Tsukasa

Governanta Satsuki

Saiko Watanabe, Akane Yukimura, Saaya Yamabuki, Yuki Saito e Ayumi Ogawa (nessa ordem)




Prólogo



Seu corpo estava flutuando tranquilamente. Ela não sabia se estava na água, ou flutuando em meio ao ar.

Seu coração batia em um ritmo tranquilo, ao ponto de que ela nem mesmo conseguia senti-lo bater em seu peito. Ela não conseguia ver nada ao seu redor, mas era capaz de identificar vozes que sussurravam animadas, como se algo incrível e muito importante estivesse acontecendo. Ela sentiu uma sensação estranha envolvendo seu corpo. Era como se algo estivesse sendo injetados em suas veias, causando um queimor estranho.

Foi então que algo aconteceu.

Seu coração, que antes batia tranquilamente, começara a acelerar. A força dos batimentos era tanta que, por um momento, ela acreditou que ele fosse sair de seu peito. Respirar parecia ser quase impossível, como se o ar lhe fosse tirado subitamente. Ela se contorceu, tentando encontrar um meio de respirar. Os sussurros ao seu redor se transformaram em gritos e barulhos indecifráveis, misturados ao som de uma sirene.

Ela se agitou mais, em uma tentativa de se libertar daquela sensação sufocante.

Sons de explosões preencheram o ar e…


Nadeshiko gritou assustada, sentando-se em sua cama.

O suor escorrendo por seu rosto, fazendo com que os longos fios arroxeados grudassem em sua testa. Sua respiração ofegante e desregulada.

Aquele sonho… mais uma vez, aquele mesmo sonho. Um sonho que ela tinha desde que era possível se lembrar. Sempre o mesmo sonho, com as mesmas sensações agonizantes e, no final, quando acordava… nada. Ela não conseguia se lembrar de nada. Sua única lembrança, era a sensação agonizante e desesperada, que sempre corroía seu corpo após acordar. Foram necessárias sete respirações longas e profundas, para que ela fosse finalmente capaz de se acalmar, retomando o controle total de seu corpo.

Quando finalmente foi capaz de acalmar-se, Nadeshiko levantou-se de sua cama e andou até a janela na parede oposta, puxando as cortinas lilases e abrindo a janela, permitindo que a luz do sol e a brisa da manhã adentrassem seu quarto. Assim que sentiu aquela brisa acariciar seu rosto, Nadeshiko fechou os olhos e soltou um suspiro aliviado. Depois de um pesadelo tão horrível, não havia nada melhor do que sentir uma brisa refrescante tocar sua pele.

Além do mais, aquele não era um dia para se permitir ter qualquer sentimento ruim. Aquele era o dia em que se apresentaria no laboratório do Profº Louis Antoinne Tsukasa, para receber seu primeiro Pokémon e, então, partir em sua jornada e viajar pela Região de Tenkawa.

Diferente de outras regiões, que permitiam que os treinadores iniciassem suas jornadas aos 10 anos, Tenkawa acreditava que era perigoso demais para permitir que crianças viajassem sozinhas, por tanto, a idade mínima naquela região era de 16 anos. Idade que Nadeshiko havia atingindo há três meses.

Contudo, qualquer um que não conhecesse Nadeshiko Fujisaki, acreditaria que ela era mais velha, devido sua maturidade e beleza, que parecia ser quase impossível pertencer a uma adolescente. Com pele clara, sem nem mesmo uma única imperfeição ou marca – fosse de espinhas ou cravos. Olhos grandes e expressivos, com cílios espessos e uma rara cor âmbar intensa. Lábios avermelhados, carnudos e bem desenhados. Cabelos longos, que escorriam em uma cascata suave até abaixo de seus joelhos. Um corpo delicado, com curvas acentuadas, seios fartos – muito mais fartos do que uma adolescente de 16 anos teria normalmente – e cintura fina. Muitos seriam capazes de afirmar que Nadeshiko era uma belíssima mulher e não uma adolescente de grande beleza, como era de fato.

Beleza a qual, muitas vezes, lhe trouxe transtornos e desconfortos.

Aqueles que acreditavam que ser bonita era o paraíso, estavam enganados. Nadeshiko era bela, bela demais. Bela desde antes que ela era capaz de se lembrar. Isso sempre atraiu pessoas com intenções duvidosas e invejosas. Situações que haviam forçado Nadeshiko a aprender a defender-se e se transformar em algo muito superior a um ‘rostinho bonito’.

Porém, isso estava no passado.

A partir daquele dia, sua vida tomaria outro rumo.

A partir daquele dia, Nadeshiko começaria a escrever seu próprio destino.

Nadeshiko estava tão distraída, que acabou por se assustar, ao escutar o som de batidas na porta de seu quarto:

— Nadeshiko! Você precisa se levantar, ou se atrasará!

Um sorriso surgiu em seus lábios, ao reconhecer a voz forte e imperiosa de sua mãe, Hiromi.

— Estarei pronta em alguns minutos. — Respondeu tranquilamente, se dirigindo rapidamente para o banheiro.

Banhou-se e fez sua higiene matinal o mais rápido que pode, antes de correr em direção ao seu guarda-roupa, retirando a roupa que havia selecionado para viajar. Um vestido azul bebê, que na parte superior lembrava uma toga romana, enquanto a saia era rosada e ia até a altura de seus joelhos. O decote era pequeno e quadrado, não revelando muito de seu busto. Amarrado sua cintura, havia um cinto de couro marrom. Seus cabelos longos presos em um rabo-de-cavalo, com uma fita azul bebê, semelhando a cor de seu vestido. Meias ⅞ de renda branca e, por fim, ela calçou um par de sapatilhas azuis com detalhes em branco e uma fivela dourada.

Após terminar de se arrumar, pegou a mochila que prepara na noite anterior e saiu do quarto, indo em direção à cozinha. Assim que chegou à cozinha no estilo tradicional japonês – assim como toda a casa – , ela encontrou uma cena familiar e rotineira a qual, Nadeshiko tinha certeza, sentiria muita falta durante sua jornada. Sentada a mesa, se encontrava sua mãe, Hiromi.

Hiromi, assim como seu próprio nome dizia, era uma mulher de beleza exuberante. Longos cabelos negros, sempre adornados com um enfeite de crisântemo branco. Olhos castanhos claros, que continham um brilho que, ao mesmo tempo passava serenidade, também demonstrava uma força e determinação rara. Pele clara, quase tão clara quanto à de Nadeshiko, e um corpo bem formado que causava inveja em muitas mulheres, assim como a cobiça em muitos homens. Como sempre, Hiromi estava vestindo um quimono de seda branca, com apenas alguns detalhes em preto.

Atualmente, eram poucas as mulheres que usavam quimonos, já que muitas acreditavam que eles eram desconfortáveis e ultrapassados. Nadeshiko discordava. Ela sempre pensara nos quimonos como a vestimenta mais bonita e agradável de vestir. A única coisa que a impedira de viajar com um, era o fato de que ela não desejava ver seus quimonos rasgados ou machados, devido a obstáculos que encontraria em sua jornada.

Em frente a pia, preparando o que parecia ser o café da manhã de Nadeshiko, estava à governanta, babá e velha amiga da família, Satsuki.

Satsuki era uma senhora de idade, com cabelos grisalhos e um olhar vovô amável e óculos quadrados de lente fina. Assim como sua mãe, Satsuki vestia um quimono verde envelhecido, com detalhes em branco.

— Bom dia. — Cumprimentou, sentando-se ao lado de Hiromi.

— Bom dia, querida. — Respondeu Hiromi, lançando um olhar avaliador sobre a filha, antes de sorrir amavelmente.

— Bom dia, Senhorita Nadeshiko. — Falou Satsuki, colocando uma bandeja em frente a mais nova.

Nadeshiko sorriu ao ver a refeição que a governanta havia lhe preparado. Um tradicional café da manhã japonês: arroz, peixe grelhado, sopa de misu, fatias de legumes em conserva, omelete, natto, tofu e chá verde. Segurando os hashis, ela sussurrou um agradecido pela comida, antes de começar a comer lentamente, aproveitando cada mordida. Aquela seria sua última refeição em casa por… por um longo tempo.

— Você já pegou tudo o que precisa, Nadeshiko? Não se esqueceu de nada? — Perguntou Hiromi, olhando para a mochila relativamente pequena que a filha levaria.

Era verdade que, atualmente, era muito mais fácil viajar do que era no passado. Indústrias de tecnologia haviam criado formas mais compactas de levar coisas grandes como: barracas, alimentos e roupas. Contudo, isso não a impedia de se preocupar se Nadeshiko estava, realmente, levanto tudo o que precisava.

— Sim, arrumei tudo ontem antes de dormir. Acredito que não me esqueci de nada.

— GPS e celular?

— Sim mãe.

— Caso se lembre de algo, basta ligar que irei lhe enviar.

Nadeshiko assentiu sorrindo. Às vezes, Hiromi parecia se preocupar demais com ela.

— Ainda não acredito que a Senhorita Nadeshiko está partindo hoje… parece que foi ontem que você me acordou no meio da noite, assustada e chorando por ter molhado a cama. — Suspirou Satsuki, fazendo com que Nadeshiko engasgasse com a sopa, enquanto Hiromi apenas riu com a lembrança.

— Satsuki, não vamos deixá-la envergonhada no seu grande dia.

— Minhas desculpas, senhora. No entanto, ainda é difícil de acreditar que a Senhorita Nadeshiko já tenha 16 anos.

— Sim, eu entendo. Ainda me lembro daquela menininha, que tentava vestir meus quimonos e usar minhas joias…

— Mamãe! — Exclamou Nadeshiko corada. Não havia nada pior, do que ter sua mãe e sua babá falando aquelas coisas.

— E agora, temos uma moça crescida e bonita, pronta para seguir seu próprio caminho. — Completou Satsuki, fazendo com que Nadeshiko corasse mais e Hiromi risse.

— Babá!

— Desculpe querida, mas não podemos evitar. Ficaremos um bom tempo sem nos ver, é impossível não se lembrar de certas coisas.

Nadeshiko tentou ficar irritada, mas não pode. Era difícil ficar irritada com elas, principalmente quando aquela era sua despedida.

O restante da refeição foi feita em um silêncio agradável. Quando Nadeshiko terminou de comer, Hiromi e Satsuki a acompanharam até a porta. A despedida foi à parte mais difícil aos olhos da adolescente. Saber que, depois de tantos anos convivendo com as duas mulheres mais velhas, não as veria por um longo tempo, causava-lhe uma profunda dor.

Com um ultimo abraço apertado, Nadeshiko finalmente partiu, indo em direção ao laboratório do profº Louis, que ficava na saída da cidade, afastado do centro. Era uma caminhada um tanto longa, cerca de 20 minutos.

Enquanto caminhava, Nadeshiko não podia deixar de fazer planos silenciosos. Ela não tinha um sonho, ou objetivo como: ser uma grande mestra Pokémon, ou uma top coordenadora… o que ela desejava, era fazer seu próprio destino. Viajar e descobrir o mundo e a si mesma. Logicamente, ela participaria de qualquer competição que encontrasse em seu caminho, pois cada competição lhe traria alguma coisa boa.

— Ora, ora. Vejam se não é Nadeshiko Fujisaki.

Nadeshiko ergueu o olhar, só para se deparar com cinco garotas lhe observando. Cinco garotas que ela conhecia mais do que desejava. Saaya Yamabuki e suas seguidoras: Saiko Watanabe, Akane Yukimura, Yuki Saito e Ayumi Ogawa. As quatro meninas que sempre andavam com Saaya eram comuns, tanto em suas atitudes quanto em aparência. Saaya era o real ‘problema’.

Uma adolescente de 16 anos muito rica, acostumada a ter tudo o que deseja. Saaya era bonita, com cabelos ruivos cacheados e olhos verdes escuros, um corpo bonito. Ninguém poderia dizer que ela era feia, o problema era que se alguém comparasse Saaya com Nadeshiko, todos afirmariam que Nadeshiko é muito mais bela. E isso havia acontecido muitas vezes no passado… 37 vezes, para ser mais exato.

Hiromi sempre havia se orgulhado do jeito doce e da beleza de sua filha, justamente por isso, que sempre inscrevia Nadeshiko em quase todos os concursos. Fosse de beleza, culinária, ou qualquer outro. E, curiosamente, desde que Nadeshiko havia vencido seu primeiro concurso – no qual Saaya havia também participado –, a ruiva havia jurado derrotá-la.

37 concursos depois, isso ainda não havia acontecido, mas Nadeshiko sempre teve de suportar as palavras venenosas e, muitas vezes, bullying.

— Bom dia Saaya. — Falou o mais tranquila e educada que pode. Por mais que ela soubesse da personalidade duvidosa de Saaya, ela preferia tentar manter as coisas em um nível agradável.

— Oh, esse certamente é um ótimo dia para mim. Afinal, hoje é o dia em que eu, Saaya Yamabuki, me tornarei uma lenda! Ohoho! — Declarou Saaya, rindo abertamente.

— Hoje, a Senhorita Saaya recebeu seu primeiro Pokémon.

— A partir de hoje, a Senhorita Saaya escreverá uma nova página da história, se tornando a mais bonita…

— Inteligente…

— Rica…

— Grande Mestra Pokémon! — Exclamaram as quatro garotas ao mesmo tempo.

Nadeshiko suspirou mentalmente. Ela já podia sentir uma pequena dor de cabeça surgindo, como sempre acontecia quando Saaya e suas seguidoras começavam com aqueles discursos. Nadeshiko era obrigada a suportar situações assim desde que tinha cinco anos!

— Então você recebeu seu primeiro Pokémon. Parabéns Saaya. — Mais uma vez, Nadeshiko se manteve tranquila, escolhendo por ignorar a parte mais irrealista do discurso da ruiva.

— Hunf. Eu não recebi um simples Pokémon. O que eu recebi, é a próxima estrela nas capas das mais famosas revistas! Ohoho!

— Neste caso, lhe desejo boa sorte em sua jornada, Saaya. Infelizmente, não posso me demorar por mais tempo. Tenham um bom dia. — Falou, fazendo uma reverencia educada e indo embora, sem ao menos se importar em dar uma nova chance de Saaya reiniciar seus discursos.

Nadeshiko sabia que, se desse chance, Saaya começaria a falar e nunca mais pararia.

No entanto, para a alegria de Nadeshiko, Saaya foi seu único encontro desagradável durante o restante o percurso, até o laboratório do profº Louis.

O laboratório, ao menos a parte que não estava escondida pelas frondosas árvores, era uma casa de tijolos à vista simples, com janelas grandes. Tinha um ar agradável e hospitaleiro, lembrando muito uma casa de campo.

Louis Antoinne Tsukasa era um homem com seus mais de trinta anos, que só poderia ser descrito com uma palavra: majestoso. Com seus cabelos castanho-claros lisos e repicados, olhos violetas e uma aura de príncipe de conto de fada. Nadeshiko se perguntava quantas mulheres poderiam resistir ao charme natural do jovem professor.

— Ah, Nadeshiko! Eu estava esperando por você. Entre, por favor. — Falou ele com um sorriso encantador, permitindo que ela entrasse.

— Bom dia professor. — Cumprimentou educadamente, antes de entrar na casa.

A casa em si era espaçosa, com uma decoração agradável e sofisticada, com várias prateleiras abarrotadas de livros fazendo o contorno da sala.

— Ansiosa para seu primeiro Pokémon?

— Um pouco.

— Nesse caso, vamos para o meu laboratório.

Nadeshiko concordou, seguindo-o até a parte de trás da casa.

Ao entrar no laboratório, ela teve a estranha sensação de ser tragada para dentro de um filme de ficção científica. Computadores e outros tipos de máquinas cobriam cada pedaço do espaço. Contudo, havia algo que se destacava naquele laboratório. No encontro, havia uma grande cadeira de couro preto, em frente a uma mera de metal e, sobre a mesa, uma capacete de cobre com vários fios conectados. Sobrevoando a mesa, havia um tubo de metal que sumia por dentro do teto.

— Sente-se na cadeira, Nadeshiko. — Pediu Louis, indo até a mesa e pegando o capacete.

Um pouco confusa, Nadeshiko sentou-se na cadeira de couro, afundando um pouco no estofado macio. Louis andou por trás da cadeira, ajeitando o capacete sobre a cabeça da adolescente, tomando um cuidado extra para não bagunçar o cabelo da menor.

— Hmm… professor… para que isso? — Perguntou curiosa, não entendendo o que aquilo significava.

— Essa máquina vai avaliar suas características mentais, para então procurar um Pokémon no deposito que seja mais compatível com você. — Explicou terminando de ajeitar o capacete, indo até o computador próximo.

— Eu nunca ouvi falar sobre essa forma de escolher um Pokémon.

— É claro que não. Afinal, eu inventei isso e apenas o meu laboratório usa esse sistema.

— Hmm… não há problemas em fazer desse jeito? Quero dizer… o primeiro Pokémon é muito importante… os treinadores podem não gostar de seu Pokémon.

— Minha especialidade é os laços e a compatibilidade Treinador/Pokémon. Deparei-me com vários treinadores que abandonavam seus Pokémons, porque estavam insatisfeitos com o desempenho que eles tinham. A verdade, é que o desempenho de um Pokémon está diretamente ligado ao laço e a compatibilidade dele com seu treinador. Acredito que basear o primeiro Pokémon de um treinador em chances de compatibilidade, evita que coisas como essas aconteçam. Pode ser um método arriscado, mas até hoje, nunca recebi uma reclamação e já uso esse método há sete anos.

Nadeshiko entendeu, apesar de ainda estar um tanto hesitante.

Ela sempre havia esperado ser confrontada com três Pokémons de tipos diferentes, para então ser obrigada a escolher um.

Saber que não teria de escolher, que Louis lhe presentearia com um Pokémon que acreditava ter a melhor chance de compatibilidade, lhe provocava uma sensação mista de alívio e temor.

— Vou ativar a máquina. Não se preocupe, que não doerá.

— Hmm… certo… — Murmurou nervosa, fechando os olhos, tentando se acalmar.

Realmente, não havia doido nada, assim como o professor havia lhe dito. A única coisa que lhe indicou que algo acontecia, era o típico som de bipes e engrenagens girando. Demorou cerca de cinco minutos, até que o barulho parou e Nadeshiko escutou um ‘plop’.

— Pronto. — Anunciou Louis, parecendo muito satisfeito.

Nadeshiko abriu os olhos âmbar, apenas para se deparar com uma pokébola vermelha e branca armada sobre a mesa a sua frente.

— Pode abri-la, Nadeshiko. Tenho certeza de que você está ansiosa para conhecer seu novo parceiro.

Com cuidado, ela tomou a pokébola em suas mãos, sentindo a superfície lisa e fria contra seus dedos. Ela experimentou aquela sensação por alguns minutos, antes de pressionar o botão no centro da esfera. Assim que a esfera se abriu, uma luz branca explodiu de dentro, indo em direção à mesa e tomando a forma de um Pokémon. Assim que a luz cessou, Nadeshiko foi confrontada com aquele que seria seu parceiro eterno de jornada.

A sua frente, se encontra um Pokémon bípede por volta dos 40 cm, com o corpo inteiramente branco, que lembrava muito uma criança pequena usando uma camisola branca. Seu ‘cabelo’ era verde em formado de tigela e, saindo por ele, haviam dois chifres vermelhos que pareciam metades de um coração. Por debaixo do cabelo, um par de olhos escarlates encararam os olhos de Nadeshiko por vários minutos.

— Parabéns Nadeshiko. Seu primeiro Pokémon é um Ralts. É um rapazinho muito talentoso. — Declarou, colocando a mão sobre a cabeça de Ralts, fazendo um carinho amigável no Pokémon.

Você é cego? Eu não sou um rapaz! Sou menina! — Exclamou a Ralts, lançando o que deveria ser um olhar ameaçador para o professor.

Nadeshiko piscou e encarou a pequena, antes de dar uma risada suave.

— Não fique brava, ele não falou por mal. — Pediu tranquilamente.

No instante em que Nadeshiko falou, tanto Ralts, quanto Louis a olharam com surpresa evidente em seus olhos. Era como se ela houvesse feito algo inacreditável.

Você… pode me compreender? — Sussurrou a Ralts, parecendo surpresa e encantada com aquele fato.

— Nadeshiko… você é capaz de compreender a fala dos Pokémons? — Perguntou Louis, toda sua amabilidade sendo substituída por uma expressão séria, enquanto olhava para a garota a sua frente.

Nadeshiko se remexeu desconfortável.

— Eu não sei porque, mas sempre fui capaz de compreendê-los. Mamãe diz que é um dom especial. — Respondeu, esperando que Louis não fosse trancá-la em alguma sala e fazer experiências estranhas com ela, devido a esse pequeno talento que possuía.

— Entendo… esse certamente é um dom muito especial. Sugiro que tente não mantê-lo tão evidente, afinal, existem pessoas que possam querer se aproveitar desse seu talento. — Aconselhou, antes de lhe oferecer um sorriso amável. — Agora, você deseja apelidar seu Ralts?

Nadeshiko riu baixinho, percebendo que o professor havia usado o termo masculino novamente, fazendo com que a pequena Ralts lhe lançasse um olhar irritado.

— Sim, eu gostaria, mas… professor, Ralts é uma fêmea e ela está brava com o senhor, por confundi-la com um menino.

— Oh… é mesmo? — Indagou surpreso, olhando a Ralts, vendo o olhar irritado e um tanto cômico que recebia da pequenina — Nesse caso, eu peço desculpas. Infelizmente, não existem muitas diferenças visíveis de gênero entre os Ralts.

Hunf… eu o desculpo, mas seja mais atento. — Declarou Ralts, bufando e virando o rosto, antes de olhar para aquela que seria sua treinadora. — Você vai me dar um nome? Espero que seja um bonito.

— Ela disse que lhe desculpa, mas pede para ser mais atento. — Traduziu Nadeshiko, antes de encarar a pequena e pensar por um momento sobre como a chamaria.
Apesar de Ralts ser uma espécie amável e fácil de lidar, aquela ali parecia ser dona de um temperamento forte e decidido, mesmo que ainda demonstrasse certa leveza e delicadeza.

Nadeshiko sorriu. Ela tinha o nome perfeito para aquela pequena.

— Temari. Seu nome será Temari.

A Ralts inclinou a cabeça, como se estivesse avaliando o nome, antes de sorrir satisfeita.

Temari é bom nome. Como é seu?

— Meu nome é Nadeshiko. Nadeshiko Fujisaki. É um prazer conhecê-la, Temari. Espero que sejamos boas amigas. — Declarou Nadeshiko sorrindo e erguendo a mão para Temari, apertando com cuidado a mão pequena que a Ralts lhe ofereceu.

Louis sorriu, observando a interação entre as duas. Sempre era agradável ver treinador e Pokémon criando um laço logo no princípio.

Nadeshiko não demorou muito mais no laboratório de Louis, apenas pegando as pokébolas e a pokédex padrão e indo embora, com Temari aconchegada em seu colo.

Em silêncio, Louis observou-as se afastarem cada vez mais de sua casa, em direção à saída da cidade. Seus pensamentos girando em torno do talento detido por Nadeshiko. Ele já havia visto aquilo no passado, mesmo que não fosse algo tão desenvolvido. Porém, tal talento… ele gostaria de acreditar que era apenas uma coincidência, mas Louis – por mais que aparentasse ser – não acreditava que o mundo era, ou poderia ser uma utopia.

O som de um miado o distraiu, fazendo com que abaixasse o olhar, vendo um Purrloin esfregando-se em suas pernas.

Louis sorriu, abaixando-se e pegando o Pokémon desonesto no colo, fazendo um cafuné na junção cabeça pescoço, sendo recompensado com um ronronar manhoso.

— Acredito que seria bom você manter um olho atento sobre Nadeshiko, Gatinho Preto. — Sussurrou Louis, recebendo um miado manhoso, antes que o Purrloin pulasse de seu colo e corresse para trás dos arbustos e árvores que rodeavam sua casa.
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Roupa da Nadeshiko:

Notas Finais:
Bem, e aqui eu termino o prólogo. Espero ter deixado muitas gente curiosa e ansiosa por mais. Lembrando a todo mundo, eu estou sempre aberta a criticas, opiniões e sugestões. Não tenham medo em me criticar. Beijinhos e até mais.

Bluerose
Membro Iniciante


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